Mudança
Cinco anos depois, sem o camelódromo
Construção do POP Center trouxe mais conforto a lojistas e clientes, mas críticas permanecem; o valor do aluguel é uma das principais queixas
Gabriel Huth -
Há cinco anos, o tradicional Camelódromo, localizado na praça Cipriano Barcellos, saía para dar lugar ao novíssimo Pop Center, com uma área de quatro mil metros quadrados construídos. E com ele, vieram mudanças em todo o comércio do município.
Com administração da prefeitura e da Concessionária Shopping Popular Pelotas S/A, as 564 lojas foram abertas oficialmente em 14 de janeiro de 2013, após atraso motivado por um inesperado alagamento causado pelos temporais da primeira noite daquele ano.
A mudança afetou não só a vida do consumidor como também dos lojistas. Carmen Lúcia Pinheiro Machado, a dona Carminha, foi uma dessas pessoas. Ela começou a vida no comércio como funcionária de uma loja, quando era possível encontrar camelôs no entorno da praça Coronel Pedro Osório. Depois, passou a ter um espaço próprio na rua Lobo da Costa e há cinco anos foi para o Pop Center, onde há pouco tempo abriu sua segunda loja de artesanatos.
Carminha começou vendendo roupas de tricô para bonecas, sozinha. Com o aumento nas vendas, passou a comercializar também as bonecas, miudezas e a considerar sua loja um espaço “multiarte”. Atualmente, possui 12 funcionários, seis costureiras e a outra metade na parte do artesanato em madeireira.
A alteração de espaço, além do crescimento nas vendas, trouxe maior conforto e estabilidade, e uma mudança estética no ponto de vista da comerciante. “Lá era tudo feito de lona, madeira… Aqui é só levantar a cortina e deu”, lembra-se, ao comparar a atual situação com o tempo em que estava na rua. Na segurança, ela também vê um ganho, pois profissionais trabalham pelos corredores do Pop Center. Otimista, ela vê o custo do aluguel como parte do negócio. “Eu quero crescer (como comerciante) para não precisar mais sentir o preço do aluguel”, resume.
Alto custo
Se Carminha é otimista quanto ao comércio no Pop Center, Carlos Pujol tem experiências diferentes. Há 20 anos, ele ocupa o mesmo espaço, sendo 15 no Camelódromo e cinco no Pop Center. Atualmente, também é presidente da Associação dos Lojistas do Pop Center. Sua loja vende principalmente games, e ele vê a nova fase acompanhada de uma piora substancial no comércio, se comparado ao período anterior. A despesa cresceu muito, a ponto de Pujol considerar o Pop Center “o metro quadrado mais caro de Pelotas”, como resumiu.
Apesar da reclamação do preço do aluguel, Pujol admite a melhora na estrutura e no visual para o cliente. Porém, para o lojista, torna-se difícil honrar com os pagamentos. Ele vê uma falta de diálogo por parte da administração, tornando os lojistas sempre voto vencido nas questões levantadas. A pouca divulgação publicitária também é uma das queixas do comerciante. “A melhoria na estrutura não cobre as nossas despesas”, conta, afirmando pagar R$ 1,6 mil pelo espaço que ocupa, com dois estandes, e outros R$ 320,00 para o custeio de segurança, manutenção e limpeza.
Outro ponto levantado por Pujol é a falta de uma segurança armada, considerando o serviço da empresa de vigilância responsável pelo local como um trabalho de portaria, por não andarem armados. “Falta segurança. Falta ventilação de qualidade. Faltam benesses para o cliente querer ficar aqui”, lamenta o presidente.
Popinho
A mais nova área do Pop Center, conhecida como Popinho, está localizada no local antes destinado à instalação de restaurantes, próximo aos guichês de pagamento do estacionamento. São 19 lojas de produtos variados, uma delas é a de Roselaine Santos, vendedora de bolsas.
Roselaine é uma das comerciantes que também reclamam do preço do aluguel. Seus gastos ficam em R$ 1,8 mil, mais R$ 250,00 das despesas fixas de segurança e limpeza. Ela considera difícil a manutenção e lamenta a pouca divulgação da nova área. “Poderia ser mais simples, mais fácil de manter”, resume a vendedora. O investimento de R$ 5 mil feito há um ano para abrir o espaço, ainda não voltou.
Outra reivindicação mencionada pela vendedora é a recolocação dos caixas eletrônicos, retirados há cerca de dois meses, e o melhor uso do estacionamento, onde não são aceitos pagamentos em cartão.
Versão da administração
Com relação ao valor da concessão, Jéssica Medina, funcionária da administração do Pop Center, esclarece que o contrato prevê reajuste anual. O preço por metro quadrado é de R$ 32,42. No que diz respeito à segurança, informa que a prestação de serviços é de portaria, que a contratação de uma empresa de segurança armada foi cogitada, mas, em razão do alto custo, acabou não sendo colocada em prática. Quanto à pouca publicidade, também criticada pelos lojistas, Jéssica diz não haver verba destinada ao marketing do local. A retirada dos caixas eletrônicos foi executada pela própria operadora das máquinas, já tendo sido solicitado o retorno das mesmas pela administração do Pop Center, mas ainda sem retorno. Conforme a funcionária, o valor do estacionamento ficou dois anos sem reajustes e este ano foi adicionado R$ 1,00 ao preço, passando para os atuais R$ 4,00 a hora.
Pop Center de Pelotas
►Lojas da prefeitura: 502
►Lojas da concessionária: 40
►Lojas vazias: 10
►Lancherias e lojas maiores: 22
►Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 8h30min às 19h, e domingos, das 9 às 19h.
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